Área da Saúde

A ABRASSI levando em conta seus princípios e valores se propõe a implantar nos serviços a que vier a assumir, um modelo assistencial inovador e que procura compreender o processo assistencial em sua complexidade.

Nesse sentido os seguintes apresentamos o MODELO DE COMPLEXIDADE ASSISTENCIAL, baseado nos seguintes princípios:

ACOLHIMENTO FAMILIAR

O Programa Nacional de Humanização Hospitalar – PNHAH faz parte de um processo de políticas e implementação de ações de humanização da assistência, direta ou indiretamente aos clientes que necessitam de cuidados no processo de saúde e doença. A proposta do programa é de melhorar a qualidade e a eficiência dos serviços prestados, priorizando as relações entre profissional da saúde, usuário e familiares. O cuidado centrado na família (CCF) é uma abordagem que reconhece a importância da família como cliente do cuidado, assegurando sua participação no planejamento das ações. Isso revela uma nova forma de cuidar, que oferece oportunidade para que ela auxilie a definição dos problemas e decorrentes soluções. Os familiares, através do acolhimento e das informações recebidas sobre a saúde do mesmo, poderão definir melhor seus sentimentos, direcionando seus objetivos para aguardar a recuperação do seu ente querido. A família deve ser vista como um aliado importante da equipe, podendo atuar como um recurso por meio do qual o paciente pode reafirmar e recuperar sua importância no tratamento, de forma a investir na sua possibilidade de recuperação.

MULTIDISCIPLINARIDADE

A implementação e fortalecimento de uma equipe de trabalho é de fundamental importância, na medida em que o conhecimento científico encontra-se em franco processo de crescimento e com divisão cada vez maior de expertise. No momento atual, não há possibilidade de que uma única categoria profissional, no caso os médicos, possua o domínio completo das intervenções possíveis no processo saúde-doença.

Considerando o atual conceito de saúde preconizado pela OMS, já existe uma série de profissões habilitadas a intervir com conhecimento técnico específico para contribuir na assistência prestada. Obviamente, esse “time de profissionais” deve atuar maneira sinérgica e complementar, isso significa que o soma de olhares diversificados podem alcançar causas e apresentar soluções que estejam além do alcance tradicional unitário. O trabalho multidisciplinar não pode ser entendido como a pura e simples contratação de profissionais da psicologia, assistência social, fonoaudiologia, nutrição, fisioterapia aplicando individualmente saberes adquiridos nos bancos universitários. Deve ser uma integração real desses olhares através do convívio profissional respeitoso e de reuniões frequentes. Um aspecto importante a ser realçado nesse cenário é que o processo de transição de cuidado desde o ingresso até a alta hospitalar deve levar em conta o aproveitamento dessa equipe.

EMPATIA

Quando o um profissional de saúde demonstra empatia por seu paciente, deixa-o mais seguro durante o atendimento e, consequentemente, bem mais confortável para confiar informações e sentimentos sobre o problema que possui e os sintomas apresentados.

Dessa forma, o profissional conseguirá recolher informações mais precisas e em maior quantidade durante a anamnese.  Isso poupa tempo e esforços em exames físicos ou complementares, otimizando o atendimento como um todo.

Um dos maiores benefícios da empatia na relação entre profissional e paciente – e sem sombra de dúvidas, o ponto mais relevante para os profissionais da saúde mais pragmáticos – é que a habilidade de ser empático tem impactos positivos também nos aspectos fisiológicos.

Construir um diálogo empático ajuda bastante os pacientes a seguirem os tratamentos e melhorarem mais rápido por realmente confiarem no profissional à sua disposição. Ainda que muitos médicos e demais profissionais sejam extremamente objetivos e pragmáticos ao conduzir suas tarefas, eles também devem se lembrar de que os pacientes, na maioria das vezes, reagem de uma forma mais emotiva aos problemas de saúde.

Dessa forma, um profissional empático faz com que o paciente se abra sobre suas principais angústias e aflições, trazendo um efeito terapêutico positivo para as pessoas, além de torná-las mais colaborativas e satisfeitas com todo o processo de atendimento.

SEGURANÇA ASSISTENCIAL

Embora possa parecer que o termo segurança assistencial carregue consigo uma boa dose de redundância, essa preocupação se traduz nos ensinamentos da saúde desde a época de Hipócrates. Primum non nocere ou primum nil nocere é um termo latino da bioética que significa “primeiro, não prejudicar”. Também conhecido como princípio da não-maleficência. Geralmente usada por profissionais de saúde, em referência a necessidade de evitar riscos, custos e danos desnecessários aos pacientes ao fazer exames, diagnosticar, medicar ou fazer cirurgias.

A busca pela qualidade da atenção não é um tema novo e foi o documento publicado pelo IOM, intitulado “Errar é humano: construindo um sistema de saúde mais seguro”, em 1999, que acrescentou a preocupação por uma das dimensões da qualidade: a segurança do paciente. A publicação constatou que entre 44.000 e 98.000 pacientes morriam a cada ano nos hospitais dos EUA em virtude dos danos causados durante a prestação de cuidados à saúde. Dentro desse cenário atualmente ganha importância os sistemas de gestão de risco e investigação de eventos adversos, acreditamos que tal sistema deve se assentar em práticas universais e acreditadas, porém com a devida adaptação ao perfil epidemiológico e assistencial do hospital. Importante nesse contexto é criar um ambiente de transparência, credibilidade e obstinação que envolva a equipe do hospitalar como um todo e traga para junto do processo os pacientes e sua família